CARIDADE: CAMINHO PARA O BEM-ESTAR E CRESCIMENTO PESSOAL

Para trabalhadora do GEAE, “fazer o bem só faz bem”, sentimento trazido pela prática do amor ao próximo

Da Redação

O amor e a caridade são o complemento da lei de justiça, porque amar ao próximo é fazer-lhe todo o bem possível, que desejaríamos que nos fosse feito. Tal é o sentido das palavras de Jesus: Amai-vos uns aos outros, como irmãos”. Com essas palavras Allan Kardec inicia sua abordagem sobre a caridade no Livro dos Espíritos – a partir da pergunta 886, o codificador do Espiritismo emoldura seu entendimento sobre uma das premissas basilares da doutrina, falando do perdão, da benevolência e dos princípios morais que sustentam o exercício da caridade. No Brasil, em 1966, foi instituído pelo governo federal o Dia da Caridade no Brasil em 19/07. No calendário internacional, a caridade é celebrada em setembro. Experiência importante em qualquer sociedade, a caridade deve ser cultivada e celebrada todos os dias, como vetor de humanização e desenvolvimento pessoal. Esse é o tema da Entrevista do Mês, em que o Informativo do GEAE discute o assunto com Lílian Campos, pedagoga e trabalhadora da Casa. Leia os principais trechos da conversa:

Uma das premissas basilares da doutrina espírita é a prática da caridade. Que definição oferece Allan Kardec sobre esse tema?

Lílian Campos – Na questão 893 de O Livro dos Espíritos, Kardec indaga qual a mais meritória das virtudes, obtendo dos Espíritos a resposta de que é a caridade desinteressada. No Evangelho Segundo o Espiritismo, Irmã Rosália nos fala da caridade material que compreende aquilo que tem manifestação no mundo físico, devendo ser exercida com desprendimento e amor, sem humilhar quem recebe; e da caridade moral como sendo benevolência (boa vontade) para com todos, indulgência (tolerância) para com as imperfeições alheias e perdão das ofensas.

O que é a caridade para você?

L.C. – Pra mim, caridade é o exercício de tornar-se melhor todos os dias.

Que sentimentos estão associados à caridade e como cultivá-los?

L.C. – Em I Coríntios, 13, Paulo define muito bem os sentimentos ligados à caridade, nos dizendo que ela é paciente, é bondosa, não conhece a inveja. A caridade não é orgulhosa, não é arrogante, nem escandalosa, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor, não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade, tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

Outro ponto importante da doutrina trata da reforma íntima. Como a prática da caridade pode colaborar para o desenvolvimento humano?

L.C. – A reforma íntima é a reforma o nosso eu, do nosso íntimo. É a mudança para melhor, é elevar-se na condição humana. É trocar atitudes erradas por atitudes corretas, erros por acertos que um dia se tornarão virtudes. No texto Os Bons Espíritas, item 4, capítulo XVII, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec diz “Reconhece-se o verdadeiro espírita por sua transformação moral e pelo esforço que faz para dominar suas más inclinações”. Ora, para vencer as más inclinações, deve-se trocar o errado pelo correto, isso é reforma íntima e é o objetivo de todos que se consideram espíritas. Jesus nos disse que se reconhece a árvore pelos frutos e é justamente no trabalho do bem que mostramos a nossa melhora intima. Ao exercitarmos a caridade, necessariamente, temos de enfrentar nossas mazelas e praticar o bem, avançando na direção da transformação pessoal.

 Vivemos em uma sociedade pautada por valores materiais, traduzidos não apenas na busca por status e patrimônio, mas também por doses cada vez maiores de individualismo. Como inserir a caridade nesse contexto e que contribuição essa prática pode dar para melhorar a sociedade?

L.C. – O pensamento mais difundido e mais dentro dos preceitos cristãos é o de que uma pessoa egoísta não pode ser uma pessoa caridosa, portanto, egoísmo e caridade são elementos antagônicos, discrepantes. Se a caridade substituir o egoísmo, todas as instituições sociais serão fundadas sobre o princípio da solidariedade e da reciprocidade; o forte protegerá o fraco, em vez de explorá-lo.

Qual o papel da casa espírita nesse contexto e como o GEAE enfrenta essa tarefa?

L.C. – Quando oferecemos uma palavra de consolo, de entendimento, de carinho, quando ajudamos alguém que caiu a se levantar, quando damos um sorriso sincero e reconfortante a alguém que chega ao GEAE, estamos exercitando a caridade. Todo trabalho na casa espírita nos coloca diante da prática da caridade.  E a meu ver, o GEAE é um lugar de acolhimento e carinho. Não temos a pretensão de sermos perfeitos, mas de estarmos sempre dispostos a estendermos a mão a quem precisa, também através da oração. Nossa corrente do bem tem dado bons resultados.

Muitos associam a caridade a sentimentos benevolentes. Outros à oferta de bens materiais a quem precisa. Na sua opinião, qual a melhor expressão para a caridade?

L.C. – A melhor expressão da caridade é o conselho do Cristo, quando nos disse que devemos fazer aos outros o que gostaríamos que os outros nos fizessem.

Qual a importância dos projetos sociais na casa espírita e como evitar que o exercício da caridade não se transforme em assistencialismo?

L.C. – A fronteira entre o assistencialismo e a caridade está no bom senso. Acredito que a caridade social existe quando é dada não somente a comida ou a roupa necessária para o frio e a fome, mas quando, a partir daí, se tenha uma responsabilidade humana (social) diante do outro. Não é apenas dar, mas educar. Educar para não ter apenas conquistas materiais, mas educar para ter uma conduta ética e consciente de valores morais. Ninguém deve negar assistência a quem precisa, mas a assistência não deve se transformar em comodismo, deve ser uma alavanca transformadora, oportunizando crescimento material e espiritual.

Qual o benefício do exercício da caridade e como despertar, conquistar, as pessoas para essa prática?

L.C. – O escritor americano Allan Luks, ex-diretor do Instituto para o Avanço da Saúde de Nova York no livro “O poder curativo de fazer o bem – Os benefícios à saúde e espirituais de ajudar os outros”, nos diz que a caridade faz uma pessoa se sentir bem espiritualmente e ainda contribui para melhorar a sua saúde física, mental e emocional. Aliás, o autor reuniu diversos estudos sobre os benefícios proporcionados pelo altruísmo do trabalho voluntário e identificou uma clara relação de causa e efeito entre ajudar os outros e ter boa saúde. Essas pesquisas concluíram que os participantes tiveram um aumento da sensação de bem-estar após realizar ações filantrópicas e, consequentemente, apresentaram uma redução em seus níveis de estresse e maior equilíbrio emocional. Podemos afirmar que fazer o bem faz bem.

Que experiência pessoal você poderia compartilhar para estimular o exercício da caridade no dia a dia?

L.C. – Atualmente estamos trabalhando no Projeto Aprender, de segunda a sexta-feira pela manhã, com crianças de 6 a 10 anos. São aulas de acompanhamento escolar, musicalização, judô e o nosso cantinho da leitura aonde as crianças descobrem o mundo da fantasia e dos sonhos. Nas nossas manhãs, fazendo-as sentirem-se amadas e protegidas caminhamos com elas pelos caminhos do saber. Uma experiência única e maravilhosa na qual eu e os outros voluntários recebemos diariamente muito mais do que nos dispomos a dar. Nada paga o carinho e a alegria que recebemos das crianças participantes do projeto.

 

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