PERFIL: “ESTOU RESGATANDO MINHAS DÍVIDAS”

Da Redação

Ele se declara um homem no segundo tempo e já sabe como deseja terminar o jogo. Recuperado de dois infartos agudo do miocárdio sofridos em 2010 e 2013, ele entende ter conquistado um voto da espiritualidade e abriu um ciclo novo em sua vida – se antes do susto a reforma íntima já fazia parte de sua busca interior, hoje esse exercício ganhou o contorno de uma consciência clara e determinada, uma decisão pessoal de trabalhar ainda mais para levar amparo e alívio a quem precisa, aproveitando as experiências do trabalho na casa espírita como mecanismo para aperfeiçoar a si mesmo. Diretor do Departamento de Comunicação e Divulgação (DCOM) e Primeiro Secretário do GEAE, Ricardo Bastos tem objetivos claros e os persegue diariamente: quer contribuir para que a Casa tenha uma identidade própria e perene, que vem sendo construída pela sua geração de trabalhadores para ser levada adiante pelos novos colaboradores; e ajudar a formar cidadãos de bem, começando pelos próprios filhos. “Estou resgatando minhas dívidas”, afirma. “Tive uma nova oportunidade e conheci o abrigo da espiritualidade, pude repensar os valores da minha vida”.

RICARDO FAMILIA
Ricardo, Esposa Ana Paula e os três filhos: Leandro, Bianca e Nina

Administrador de empresas, com especialização em mercado financeiro, Ricardo acumula 28 anos de atuação em veículos de comunicação. Ponderado, calmo e antenado com as novas tecnologias, traz essa vocação também para o GEAE, onde articula todas as iniciativas de comunicação, desde a edição do jornal mensal até a corrente com orações diárias que faz parte da concentração dos trabalhadores da Casa. Sua contribuição, entretanto, não para por aí. Médium experimentado, ele também colabora com o grupo de trabalhadores vinculados ao atendimento físico-espiritual, oferecido aos frequentadores do GEAE às segundas-feiras. Atuando sob a inspiração do Irmão Francisco Alves, mentor da atividade, Ricardo diz que o aprendizado tem sido constante e profundo, confirmando sua percepção de ter ganho tempo para poder fazer mais pelo próximo. “Ele é muito caridoso e trouxe uma atitude ainda mais amorável para a Casa”, conta. “Ainda hoje me sinto pouco preparado, pequeno, para conduzir esse trabalho com ele”.

Filho de uma família pioneira e com sete filhos, Ricardo nasceu em Brasília em 1963. Pai e mãe cariocas, morou uma parte de sua infância no Rio de Janeiro. Funcionário da Presidência da República, seu Adolpho transmitia aos filhos uma memória viva do Brasil daquele período, que acompanhou de perto como ajudante de ordens do presidente Getúlio Vargas. A mãe, Wanda, cuidava da casa e das crianças, sempre arranjando tempo para cultivar a espiritualidade. Católica, com o passar dos anos tornou-se evangélica e iniciou um trabalho de amparo a meninos de rua na Asa Sul, onde a família morou. “Todos nós acompanhávamos minha mãe à igreja e depois de certo tempo o voluntariado dela entrou em nossa casa”, lembra Ricardo. Wanda acolhia, alimentava e acompanhava as crianças em grupos que faziam as refeições em sua casa, à mesa, com a família reunida. Num segundo momento, buscava conhecer as famílias e as estimulava a matricular e manter os filhos na escola. “Ela tornou-se evangelizadora na igreja. Meus pais sempre deram muito valor ao estudo apesar de eles mesmos não terem tido a oportunidade”, diz Ricardo.

CONHECIMENTO E LIBERDADE – Dos sete filhos, ele foi o que mais se aproximou da igreja. Foi evangélico dos 10 aos 23 anos de idade, período em que conheceu o missionário David Sanders, que aponta como pessoa fundamental em sua formação moral. “Ele tinha uma inquietação perante a pobreza e foi um mentor para mim. Eu era um pouco arteiro e ele me trouxe disciplina”, conta. Na seara evangélica Ricardo começou sua formação religiosa, criando as bases para o profundo conhecimento doutrinário que detém hoje. Nesse período, já experimentava sintomas de mediunidade, embora ainda não encontrasse explicação para tais fenômenos. “A igreja não tinha resposta para isso”, lembra. Aos 23 anos, recém-casado e imerso em dúvidas, decidiu deixar a igreja. Passou 11 anos sem vínculo religioso algum. Em 1999, conheceu o espiritismo e o GEAE – buscava respostas e alívio para sintomas ainda mais fortes de mediunidade.

Refeito após o atendimento na Casa, decidiu frequentá-la e começou a estudar a doutrina. Sua formação, no entanto, não foi apenas teórica: durante dois anos, em parceria com outro voluntário, fez pesquisas com a transcomunicação instrumental (TCI), usando aparelhos eletrônicos para captar presenças e receber mensagens dos espíritos. Em 2001, iniciou o desenvolvimento mediúnico, passando por diversas das atividades do GEAE até assumir a coordenação dos atendimentos das segundas-feiras, quando a Casa oferece os tratamentos de apometria e o físico-espiritual. “O Espiritismo respondeu questões obscuras que eu carregava comigo. É uma doutrina libertadora, não tem censura nem paradigmas”, afirma. Para ele, a doutrina permite novas descobertas e está sempre em movimento. É com esse sentimento que ele enxerga o próprio futuro e o trabalho que desenvolve no GEAE. Sua expectativa é ampliar o atendimento da segunda-feira e desenvolver projetos que fortaleçam a imagem e a vocação da Casa. “Minha missão não está completa. A reforma íntima é um processo contínuo e o trabalho faz parte disso”.

“Conheci o Ricardo na sala de tratamento quando cheguei no GEAE. Eu servia água para os pacientes e comecei a auxiliá-lo. São mais de quatro anos juntos e tenho a honra de também conviver com ele e sua família no plano pessoal”, diz Sônia Lopes, trabalhadora da Casa. “Ele é sempre a mesma pessoa e isso é o mais marcante na sua personalidade. Sempre calmo, educado, amoroso, responsável. E trata a todos da mesma forma”, conclui. “Conheço o Ricardo há mais de 10 anos. Uma de suas grandes qualidades é a seriedade. Tudo o que ele se propõe a fazer é feito com seriedade e qualidade”, diz Rodolfo Castro, diretor do Departamento de Assistência Espiritual (DAE) do GEAE. “É um amigo de quem sinto falta. Ele está sempre olhando além e conviver com ele é uma experiência enriquecedora”. Casado pela segunda vez e pai de três filhos, Ricardo enxerga um futuro de atuação ainda mais intensa para o GEAE e aposta na formação de uma nova geração de trabalhadores. “É preciso criar e fortalecer as bases para que haja continuidade no trabalho . Esse é um esforço do dia a dia”, diz, frisando que há muito a ser feito. É com essa energia que ele conduz a rotina e acompanha o desenvolvimento dos filhos. “Gosto de ver como eles crescem e quero formar pessoas de bem. Essa é minha missão mais importante”.

 

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