TRABALHADOR VOLUNTÁRIO DÁ ALMA E VIABILIZA A ATIVIDADE ESPÍRITA

Da Redação

O trabalho é uma necessidade humana, tanto do ponto de vista material quanto espiritual. No mês de maio, quando é celebrado no Brasil o Dia do Trabalho, o Grupo Espírita Abrigo da esperança (GEAE) propõe uma reflexão sobre a importância do trabalho na casa espírita e os benefícios do voluntariado. Pesquisa realizada pela Fundação Itaú Social em 2014, aponta que mais de 16 milhões de pessoas estão envolvidas com alguma atividade voluntária no Brasil, nos mais diversos campos. Feito pelo Instituto Datafolha com 2024 brasileiros de 135 municípios, o levantamento registra que 11% da população brasileira são voluntários e 28% já realizou atividade não remunerada para ajudar o próximo. Na casa espírita, o trabalho voluntário é condição essencial para as atividades, mobilizando milhares de pessoas que cedem seu tempo e suas habilidades para servir ao próximo. No GEAE, um grupo de 112 pessoas conduzem diversas ações, sejam no campo mediúnico, sejam no campo administrativo e operacional. “Nossa Casa são os nossos trabalhadores, sem eles nada poderíamos realizar”, afirma Flávia de Paiva Barbosa, presidente do GEAE.

O trabalho voluntário foi regulamentado no país, cresceu, mas ainda tem grande potencial: a pesquisa da Fundação Itaú Social mostrou que o Brasil ainda está abaixo da média mundial de 37% da população. Países como a China e o Canadá, por exemplo, registram, respectivamente, 55% e 50% dos habitantes vinculados a atividades voluntárias. A doutrina espírita, assim como o Cristianismo, aponta a importância do trabalho, estimulando a vocação para o serviço em benefício do próximo. “O Mestre Jesus já nos motivava a pratica do servir como processo continuo da busca da redenção: “E, qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, que sirva o próximo” (Mateus 20:27)”, diz Ricardo Bastos, diretor do Departamento de Comunicação e Divulgação (DCOM) do GEAE. “A doutrina do Espíritos esclarece ainda mais a necessidade do trabalho como uma das alavancas rumo ao progresso moral”, acrescenta, destacando as questões 674 e 675 do O Livro dos Espíritos em que a espiritualidade afirma:  “O trabalho é lei da Natureza, por isso mesmo que constitui uma necessidade, e a civilização obriga o homem a trabalhar mais, porque lhe aumenta as necessidades e os gozos”. Orador espírita e trabalhador da Casa, Bruno Elias Borges destaca que uma das leis morais segundo O Livro dos Espíritos é a Lei do Trabalho. “É uma lei da natureza, ou seja, de Deus. Com o trabalho temos a oportunidade de nos aperfeiçoar e aprimorar”.

A pesquisa também buscou as razões por que as pessoas não assumem uma atividade voluntária.

Entre os motivos para não ser voluntário, “falta de tempo” foi a resposta de 40% dos entrevistados. Outras razões registradas: “nunca foram convidados” (29%); “nunca pensaram nessa possibilidade” (18%) e “não sabem onde obter informações sobre isso” (12%). “O maior desafio do voluntário é manter-se voluntário, por que são tantas os convites lá fora, para outras coisas, que muitas vezes nos desviamos fácil do nosso trabalho”, reflete Sônia Souza Lopes, que carrega 20 anos de experiência, 7 deles no GEAE. “Manter-se firme no trabalho é o maior desafio. O que nos motiva no trabalho é a consciência de que precisamos mais do trabalho do que o trabalho precisa da gente. Quem mais necessita do trabalho sou eu”, atesta.

AUTOCONHECIMENTO – Um dos benefícios do trabalho voluntário, destacados pelos entrevistados do Boletim Informativo, é a possibilidade do autoconhecimento e da descoberta de novas habilidade. Estimulados pelo desejo de ser útil, trabalhadores do GEAE relatam sentir-se beneficiados pelas atividades que abraçaram na Casa. “Decidi trabalhar pelo desejo de ajudar de alguma forma. Aqui descobri talentos e percebi habilidades que ainda não tinha visto. Tinha alguma coisa que me chamava, eu via que tinha coisas para mudar e senti que podia ajudar”, afirma Fabiana Rocha Nascimento, voluntária há cinco anos.  

“O benefício é o desenvolvimento e aprimoramento. Ao assumir uma atividade, devemos fazer com espontaneidade e com o coração cheio de alegria e felicidade”, diz Bruno Elias, destacando que o trabalho é uma oportunidade de reajuste. Com 26 anos de trajetória, ele reflete sobre a importância de abandonarmos a inércia e iniciar o trabalho. “Lembro de quando li Nosso Lar de André Luiz.  No capítulo 39 é citado por Genésio que “Quando o trabalhador está pronto, o serviço aparece”. Se chega o convite para nós para auxiliar em alguma atividade, é porque estamos prontos”.

Trabalhador do GEAE há 17 anos, Ricardo Bastos relata que a maioria dos voluntários deseja ajudar a resolver os problemas sociais, quer sentir-se útil e valorizado, fazer algo diferente, exercer a generosidade e a solidariedade. Segundo ele, essa atitude solidária com os menos favorecidos traz inúmeros benefícios pessoais ao voluntário, melhorando sua autoestima e até sua saúde. “Irmão Francisco, trabalhador espiritual que assiste ao GEAE no aconselhamento, sintetiza isso muito bem. “Aquilo que recebemos, entregamos e assim de forma comunitária todos ascendem e se projetam rumo à Luz. Eis a tônica do trabalho, na disposição desses Espíritos Benditos e amigos que estão para dispor de seus conhecimentos e, principalmente, dos seus sentimentos”, diz.

“Quando eu entrei pensava que era preciso sacrifício e não é necessário, mas isso faz parte do aprendizado. Em um dos momentos em que eu quase desisti, uma mensagem transmitida pela espiritualidade foi “não crie ídolos, não trabalhe por ninguém, trabalhe por amor ao Cristo”, relata Fabiana Rocha, frisando que o principal beneficiário do trabalho voluntário é o próprio trabalhador.

“O aprendizado é o maior benefício, você se torna uma pessoa melhor, mais preparada, mais forte diante das adversidades; você aprender a entender o outro e a si mesmo. A partir do momento que você percebe o outro começa também a se perceber. As coisas pequenas perdem importância na vida”, diz Sônia Lopes. “O trabalho é libertador”.

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