PERFIL – VITALIDADE E COMPROMISSO: UMA TRAJETÓRIA DE AMOR AO PRÓXIMO

Voluntária no GEAE, Jacira Rosa quer trabalhar ainda mais e aprender coisas novas

Da Redação

Ginástica localizada, zumba e pilates são os combustíveis da energia contagiante que ela irradia. Elétrica e sempre sorridente, Jacira Rosa vive seus 62 anos disposta a seguir trabalhando e aprendendo cada vez mais. Trabalhadora no Grupo Espírita Abrigo da Esperança (GEAE) desde 2011, ela coloca as atividades na Casa entre suas prioridades e não abandonou o estudo permanente da doutrina espírita. Questionadora e curiosa, enxerga o GEAE como espaço de crescimento pessoal e oportunidade de fazer o bem a quem estiver por perto: sempre disposta a ajudar, ela aproveita essa experiência para avançar na própria reforma íntima.

Nascida em Salvador, Jacira é a primogênita de uma família com outros cinco irmãos, em que sempre teve grandes responsabilidades. “Eu ajudei minha mãe a criar meus irmãos. Eu não brincava na rua, então meus irmãos eram como se fossem os meus bonecos”, lembra. Os pais, Joaquim Rosa e Maria Júlia Soares Rosa, estão vivos e aglutinam a família na capital baiana. Foram rigorosos na educação dos filhos, mas não professaram nenhuma religião: cada um seguiu sua própria escolha e Jacira aproximou-se da espiritualidade pela igreja católica. “Minha família mora ao lado da Igreja de Santa Rita e eu ia sozinha quando criança. Me sentia bem ajudando o padre”, conta, lembrando ter feito parte do coral e de outras atividades. “Quando tinha procissão, eu me vestia de anjo e ia. Ninguém podia me impedir”.

jacira
JACIRA ROSA

Jacira diz não ter sido muito estudiosa, mas desde criança alimentou o desejo de ser médica. Foi quando prestou o primeiro vestibular, aos 17 anos, que seu caminho na direção do Espiritismo se abriu: no dia da prova, acometida por fortes dores de cabeça e nas costas, e apanhada por ondas de calor, não conseguiu concluir o exame. Voltou pra casa sem saber o que lhe acontecia e ficou 15 dias de cama. Sem diagnóstico, nem melhora, pediu à mãe que a levasse a um centro espírita. Depois de vencer a resistência da mãe, foi levada por ela, uma tia e o namorado, Paulo Roberto de Castro, à uma Casa nas redondezas. Lá, soube que sofria um processo de forte obsessão. “Fiz o tratamento, com passe e desobsessão e comecei a estudar a doutrina”, diz Jacira. Nos cinco anos seguintes, ela entrou nas faculdades de biologia e enfermagem e casou-se. Em 1977, já contando 22 anos, ela e Paulo Roberto vieram para Brasília.

“Quando cheguei aqui já me considerava espírita. Começamos a frequentar o GEAE, onde assistíamos as palestras e tomávamos passe”, recorda. Ajudada por um amigo do casal, foi trabalhar na Secretaria de Serviço Social do GDF como secretária e decidiu retomar o estudo, cursando economia doméstica. Em 1980, formada e mãe de sua primogênita, Julia, Jacira foi trabalhar na Fundação de Serviço Social do GDF. “Era um órgão de execução e trabalhávamos com as necessidades básicas do indivíduo, como alimentação, higiene, vestuário”, lembra. Segundo ela, foi um período de grande aprendizado e satisfação, em que trabalhou com creches e na reabilitação de crianças subnutridas. Em 1985, Jacira prestou concurso e entrou para o quadro funcional da Secretaria de Educação. Foi professora e coordenadora pedagógica. Aposentou-se em 2004.

MISSÃO A CUMPRIR – Jacira também frequentou o Sanatório Espírita de Brasília, no setor militar urbano da capital federal, onde iniciou seu voluntariado – nos três anos em que trabalhou naquela Casa, tornou-se médium de sustentação. “A doutrina justifica a encarnação e me trouxe mais compreensão sobre as diferenças entre as pessoas”, diz. “Me fez entender a justiça de Deus, pois eu sempre pensei que Deus não era justo”. Para ela, o trabalho na Casa espírita foi uma escolha natural e oportunidade de exercitar uma religiosidade que já tinha. “Sempre rezei muito, então, dar sustentação é uma atividade boa pra mim”, comenta.

Essa trajetória foi interrompida em 1998, quando decidiu retornar para Salvador. Recém-separada, Jacira decidiu que era hora de cumprir o sonho de voltar para a cidade natal. Os filhos decidiram ficar na cidade, morando com o pai, o que a manteve por perto. Em Salvador, fundou uma escola antroposófica, mas o afastamento durou pouco. Em 2011, voltou de vez para Brasília, para acompanhar de perto o nascimento do seu primeiro neto, Caio, uma de suas paixões declaradas e filho de Julia. “Eu não pretendia ficar, vim pra ver o meu netinho”, diz. Nessa vinda, visitou o GEAE e ouviu ultimato de um dos mentores da Casa. “Ele me disse que meu ciclo em Salvador havia se encerrado e que eu tinha uma missão para cumprir aqui”.

Jacira se mudou de pronto e mergulhou nas atividades da Casa, que conhecera muitos anos antes pelas mãos de Maria do Socorro, uma de suas fundadoras. “Conheci a Jacira no GEAE numa terça-feira e, no mesmo momento, senti que já a conhecia de tempos passados”, lembra Cláudia Oliveira, coordenadora da Evangelização. “É uma grande conhecedora da doutrina, muito segura na condução dos trabalhos de meditação, do atendimento fraterno e apometria. Além disso, é uma pessoa acolhedora, carismática, alegre, amiga e sempre disposta a ajudar ao próximo”, conclui.  “Conheci a Jacira em um dia de estudos no GEAE. Ela é uma dessas pessoas que sentimos prazer em conhecer, pois está sempre com um belo sorriso estampado no rosto, demonstrando alegria e simpatia, e está sempre disposta a uma boa conversa”, diz Selma Regina, trabalhadora do GEAE. “Vitalidade é sua principal marca”.

“Meu foco hoje está no trabalho com os desencarnados, no amparo a esses espíritos. Temos muito a fazer”, afirma Jacira. Ela participa do atendimento fraterno, da apometria e lidera o Grupo de Apoio a Dependentes e Familiares Luiz Sérgio. Aposentada, ela divide sua rotina entre os cuidados com o neto, com quem passa todas as manhãs; o cuidado com a saúde, indo à academia diariamente; e muita diversão. “Gosto muito de dançar, estudar e rezar”, diz Jacira, rindo.

 

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