Estou com Câncer e Agora? Uma Perspectiva Espírita

O Câncer sob uma Luz Espírita: Transformando Desafios em Oportunidades de Crescimento Espiritual

Receber um diagnóstico de câncer, especificamente mieloma múltiplo, é uma experiência que pode abalar profundamente a vida de uma pessoa. O mieloma múltiplo é uma forma de câncer que tem origem nas células plasmáticas do sistema imunológico, multiplicando-se na medula óssea e interferindo na produção normal de células sanguíneas e anticorpos, comprometendo a capacidade do corpo de combater infecções. Entretanto, neste artigo, vamos explorar uma perspectiva diferente sobre a doença e como lidar com ela. Baseando-nos na filosofia espírita, vamos discutir maneiras de fortalecer a fé, mudar hábitos e permitir que a espiritualidade desempenhe um papel crucial no enfrentamento da doença.

A Perspectiva Espírita sobre a Doença

De acordo com a doutrina espírita, “A dor é uma bênção que Deus envia a seus eleitos; não vos aflijais, pois, quando sofrerdes; pelo contrário, bendizei a Deus onipotente que, pela dor, neste mundo, vos marcou para a glória no céu.” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo V, item 9). Nesta perspectiva, a doença não é encarada como um castigo, mas como uma oportunidade para aprendizado e evolução espiritual.

Diagnóstico e Reação Pessoal

Quando me vi no espelho da realidade médica, com o diagnóstico de mieloma múltiplo em mãos, a derrota inicialmente pareceu ser a única companhia. Contudo, decidi resistir à tentação de me tornar uma vítima da doença. Escolhi, ao invés disso, fazer dela um degrau para uma nova compreensão da vida. A fé espírita tornou-se o meu farol, guiando-me por uma trilha de mudanças significativas com o intuito de manter a doença sob controle e garantir uma vida tão normal quanto possível.

Implementei uma série de mudanças no meu estilo de vida, tratando meu corpo com a gentileza que ele merecia. Integrei práticas de relaxamento à minha rotina, reconhecendo o papel crucial da paz mental na manutenção da saúde física. Adicionei também o estudo da filosofia ao meu cotidiano, buscando compreender mais profundamente os ensinamentos e princípios que poderiam guiar minha jornada de cura e autoconhecimento.

Além disso, encontrei um propósito renovado no envolvimento com causas sociais e trabalho voluntário. Compreendi que, na doutrina espírita, auxiliar o próximo é um poderoso meio de evolução espiritual. Acredito firmemente que, ao estender a mão para ajudar os outros, também estou estendendo a mão para a minha própria cura.

A Literatura Espírita e a Doença

A literatura espírita oferece muitos exemplos e orientações sobre como a fé e a espiritualidade podem auxiliar no enfrentamento de doenças graves. Nas obras de Chico Xavier, encontram-se inúmeros exemplos de histórias de fé e resiliência frente às adversidades. Manoel Philomeno de Miranda, em “Trilhas da Libertação”, escreve: “O câncer, por exemplo, pode ser a oportunidade de liberação de velhas mazelas, de conflitos ancestrais que ficaram retidos no ser, e que somente agora encontram campo propício para se manifestarem, oportunizando a libertação.”

Amor e Esperança: A Perspectiva Espiritual de Irmão Francisco Sobre o Câncer

Em uma psicofonia transcrita, o Espírito Irmão Francisco, espirito que auxilia no tratamento físico-espiritual do GEAE,  nos convida a uma reflexão sobre nossas atitudes e propósitos em relação à vida. Ele nos encoraja a adotar uma perspectiva de amor e a evitar uma visão derrotista, que só foca nos aspectos negativos e nos momentos de sofrimento. Segundo ele, esse tipo de mentalidade nos mantém presos a energias de baixa vibração, expostos a uma radiação danosa que resseca a alma. Ele diz:

“Reflitamos de uma forma diferente, reflitamos dentro de uma consciência de amor. Somos acostumados a analisar a nossa vida sob uma ótica derrotista, marcando os fatos negativos e guardando as lembranças que nos fazem sofrer e esmorecer. Dessa forma, a vida não se projeta para o rumo proposto à nossa verdadeira existência…”

Por outro lado, Irmão Francisco convida a todos nós a refletir dentro de uma nova consciência, uma consciência de amor. Ele pede que tragamos à consciência aquilo que é bom, que encaremos os momentos difíceis apenas como oportunidades de aprendizado na nossa jornada em direção à luz. Ele nos convoca a cultivar os bons momentos e a nutrir nosso terreno interior com as boas lembranças. Em suas palavras:

“Convido, porém, a um tipo diferente de reflexão: reflitamos dentro de uma nova consciência, uma consciência de amor! O convite que fazemos é trazer à consciência aquilo que é bom, somente aquilo que é bom!”

Em meio a essa nova consciência de amor, o Irmão Francisco conclama a todos nós a duas atitudes: vibrar em amor e cultivar a esperança no coração do próximo. Ele afirma que adotando essas atitudes, nossa consciência dará um salto rumo a novos ares vibracionais, abrindo a chave para um novo mundo.

Essa mensagem ressoa fortemente quando enfrentamos desafios como um diagnóstico de câncer. Reforça a ideia de que, ao cultivar a fé, a resiliência e a vontade de aprender e crescer, podemos transformar até mesmo os momentos mais difíceis em oportunidades para o crescimento e a cura espiritual. E ao fazer isso, não só apoiamos a nossa própria jornada de cura, mas também influenciamos positivamente a vida daqueles ao nosso redor.

A Jornada de Cura Continua após a Remissão

Uma ideia importante a se ter em mente ao enfrentar uma doença como o câncer é que a remissão não é o fim da batalha; é, na verdade, o início de uma nova fase na jornada de cura. A remissão é uma etapa importante e uma grande vitória, sem dúvida, mas a luta pela saúde total, que inclui a saúde física, emocional e espiritual, continua.

Na obra “Nosso Lar”, de Chico Xavier, André Luiz nos diz: “As dores do corpo são vozes que nos falam do mais íntimo, gritando contra o abuso que lhe impomos. A enfermidade é o processo de que se vale a Natureza para a nossa restauração.” Isso sugere que, mesmo após a remissão, o trabalho de autoconhecimento, autocuidado e evolução espiritual continua. A cura, do ponto de vista espírita, é um processo contínuo que vai além da saúde física e entra no reino da saúde mental, emocional e espiritual.

Portanto, ao enfrentar um diagnóstico de câncer, é essencial lembrar que não estamos apenas lutando contra uma doença física. Estamos em uma jornada de crescimento e cura espiritual. A fé, a resiliência e a vontade de aprender e crescer são ferramentas poderosas que podem nos ajudar a navegar por este difícil caminho e a manter uma perspectiva positiva, mesmo nos momentos mais desafiadores.

 


Fontes:

“O Evangelho Segundo o Espiritismo” de Allan Kardec (Capítulo V, item 9): Este é um dos cinco livros que compõem a Codificação Espírita, que sistematiza a doutrina espírita; “Trilhas da Libertação” de Manoel Philomeno de Miranda (pseudônimo espiritual de Divaldo Pereira Franco): Divaldo é um médium brasileiro conhecido pelas obras psicografadas atribuídas a diversos espíritos; “Nosso Lar” de Chico Xavier, pelo espírito André Luiz: Chico Xavier é um dos médiuns mais conhecidos do Brasil e suas obras psicografadas contribuíram significativamente para a literatura espírita; Associação Médica Espírita: Uma organização que busca integrar a medicina à espiritualidade. Embora não seja uma fonte literária, suas publicações e conferências são relevantes para a discussão sobre a perspectiva espírita da doença.

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