UNIÃO E FRATERNIDADE




“Os que se incorporam ao Evangelho Salvador, por espírito de contenda, são dos maiores e dos mais sutis adversários do Reio de Deus.”
Pão Nosso – Emmanuel – FCX
Como estudiosos da Doutrina, devemos buscar sempre as orientações de Kardec para nortear os nossos pensamentos. Sendo assim, vejamos a opinião do Mestre sobre o tema em questão, retirada da Revista Espírita de 1868. Edicel, São Paulo, pág. 391:
“O Espiritismo tem princípios que, em razão de se fundarem nas leis da natureza, e não em abstrações metafísicas, tendem a tornar-se, e certamente tornar-se-ão um dia, os da universalidade dos homens. Todos aceitarão, porque serão verdades palpáveis e demonstradas, como aceitaram a teoria do movimento da terra; mas pretender que o Espiritismo em toda parte seja organizado da mesma maneira; que os Espíritas do mundo inteiro sejam sujeitos a um regime uniforme, a uma mesma maneira de proceder; que devam esperar a luz de um ponto fixo, para o qual deverão fixar o olhar, seria uma utopia tão absurda quanto pretender que todos os povos da terra um dia não formem senão uma nação, governada por um único chefe, regida pelo mesmo código de leis e sujeita aos mesmos usos. (…) Os espíritas do mundo inteiro terão princípios comuns, que os ligarão à grande família pelo laço sagrado da fraternidade, mas cuja aplicação poderá variar conforme as regiões, sem que, por isto, seja rompida a unidade fundamental, sem formar seitas dissidentes que se atirem a pedra e o anátema, o que seria antiespírita, de saída.”
União não é sinônimo, nem direto nem indireto, de uniformização.
A uniformização das atitudes humanas, tanto em nosso nível atual quanto, acreditamos, em nível Superior, é perniciosa, pois tolhe a liberdade não só de agir, mas inclusive de pensar. Por outro lado, nem tudo que se uniformiza necessariamente se une; o comportamento da Sociedade nos demonstra isso a mancheias.
O conhecimento do Espiritismo é absorvido por cada um de nós de modo e intensidade diferentes, variando de acordo com a experiência evolutiva que possuímos.
Ninguém foi mais preocupado com a questão da pureza doutrinária do que Kardec. Mas, concomitantemente, ninguém foi mais pluralista do que o próprio Kardec. Estabeleceu os princípios fundamentais da doutrina espírita, magnificamente expostos naquilo que denominou de “credo espírita”, inserido no discurso pronunciado na SPEE no dia 1º de novembro de 1868. A par disso, entretanto, propôs a adoção de um espírito de irrestrita liberdade de opinião e de pesquisa, dentro do amplo universo onde se situam os postulados básicos doutrinários. Recomendou, ademais, que os espíritas se organizassem institucionalmente de acordo com suas peculiaridades, não sob rígidos esquemas hierárquicos, mas preservando, sempre, entre eles, vínculos de trabalho, solidariedade e tolerância.
Fiquemos com o alerta de Bezerra de Menezes através de Divaldo Pereira Franco, no livro “Compromissos Iluminativos”:
“Sobre vós as graves responsabilidades do nosso Movimento na Pátria do Cruzeiro. Como é verdade que vivemos um clima de liberdade doutrinaria, não menos verdade é que a identidade de princípios deve ser a viga mestra que nos una para que possamos trabalhar com perfeito entendimento de objetivos, deixando a margem a contenda inútil, as lutas infrutíferas, para trabalharmos em diálogos fraternos na consecução das metas que todos perseguimos.
Ate há pouco, combatiam a mensagem luminosa. Os adversários, porem, da Terceira Revelação, filhos meus, estão agora dentro de nossas fileiras, dentro de nos… Ou modificamos a nossa forma de agir, de servir e de amar, ou seremos responsáveis pelo adiamento da concretização dos ideais do Consolador na Terra. Esta é a religião, cujo nome foi dado por Jesus, O Consolador, não o esqueçamos….”
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Excelentes considerações André. Veio em boa hora. Precisamos relembrar sempre do legítimo chamado do Consolador – o trabalho edificante, fraterno e tolerante.